Bom começo
A nova diretoria do Jockey Club de São Paulo já pôs o dedo em algumas das feridas que corroem as apostas em Cidade Jardim – redução no valor de algumas retiradas e nas combinações do Pick 8 e Fast 6. Alterações bem vindas, mas ainda insuficientes para alcançar um expressivo aumento do movimento de apostas. Faltou, por exemplo, reduzirem o valor das inversões de trifetas e quadrifetas, além da escorchante retirada em duplas exatas. Mas, é preciso considerar que o mandato da nova diretoria está apenas começando. Mais coisas devem vir por aí. Aproveito, então, para, na qualidade de velho apostador e jornalista especializado em turfe, sugerir algumas iniciativas.
Workout
Considerando que o Jockey, carente de grana, não pode manter um quadro de cronometristas e tendo em conta que a imprensa diária deixou há muito de dar cobertura aos matinais em Cidade Jardim, urge eliminar o workout, cujo único mérito, a meu ver, é dificultar a tarefa de analistas e apostadores. Da forma como a coisa é feita, é evidente que as marcas são fornecidas pelos próprios treinadores, os maiores interessados em “esconder” os verdadeiros trabalhos e aprontos de seus pensionistas. Ademais, de que servem as marcas de São Paulo, Porto Feliz, Campinas e São Vicente se não há parâmetros para comparação? Exemplo: 1.000 metros em 64” na grama de Porto Feliz, é bom, é regular, é ótimo? Só os privilegiados têm a resposta. De que servem para análise do carreirista “partidas” em 532 metros, em Cidade Jardim? É comum um animal com tempos sofríveis aparecer jogadíssimo e ganhar com facilidade. Sinal evidente de que os trabalhos verdadeiros foram escamoteados.
Pequeno apostador
Copiar coisas boas não é pecado. De há muito, a Gávea dá o exemplo de como “agarrar pelo pé” o pequeno apostador, aquele que pode passar uma tarde inteira no prado com não mais que 20 reais. Apostar em trifetas e quadrifetas em múltiplos de 10 (partindo de 30 centavos) dá à ninguenzada a vantagem de poder combinar mais animais para estar mais próxima de acertos e, portanto, pronta para reinvestir os ganhos. Não é a única, mas essa é uma das razões que levaram o Jóquei do Rio a quase dobrar o movimento de apostas em relação a Cidade Jardim.
Credibilidade
Que a Comissão de Corridas tenha o máximo cuidado ao julgar delitos de raia para efeito de desclassificação. Muito de sua credibilidade vem da forma como estabelece critérios para esse tipo de julgamento. É preciso acabar com decisões que se chocam com o senso comum do carreirista, como tem acontecido com freqüência; e mais, os apresentadores não devem tomar partido quando da exibição do tape da prova em questão, procurando antecipar a decisão da CC.
Malandragem
Que a mesma Comissão fique mais atenta à diversidade de performances. Há casos de flagrante disparidade de atuação que passam batidos pelos homens “lá de cima” e que levam grande parte dos apostadores a acreditar que as corridas são “arranjadas”. Se não me falha a memória, nos últimos anos foram pouquíssimos os profissionais chamados para explicar diversidade de atuação.
Muito mais coisas precisam de correção de rumos. Vamos torcer para que as primeiras providências da nova diretoria não sejam apenas chuvas de verão.
0 comentários:
Postar um comentário