segunda-feira, 5 de março de 2012

Sugestão de acumuladas para Cidade Jardim e Gávea (segunda, 5 de março).

Cidade Jardim

(vencedor e placê)

Universus (3º 4)

Adesso (4º 7)

Dom Dino (5º 3)


Gávea

(vencedor e placê)

Senhor Juli 2º 7)

Durban Only (5º 2)

Uckfield (6º 4)


terça-feira, 19 de julho de 2011

Um petiço brasileiro e o leão americano

Nada como ouvir histórias de turfistas notáveis. Como as do dublê de ator e proprietário de cavalos Lima Duarte. Noite destas, tive o privilégio de passar uma boa hora conversando com ele e seu fiel escudeiro, Kazuo. Entre um gole e outro de vinho de boa safra, Lima contou algumas histórias. Repasso uma delas, nas palavras do próprio:

“Fins da década de 70. Eu, Paulo Gracindo e alguns integrantes do elenco do seriado O Bem Amado viajamos para Nova York, onde seriam gravadas algumas cenas. Como todo bom turfista, não perdi tempo e a primeira coisa que fiz foi consultar páginas turfísticas de jornais locais para ver em que prados haveria corridas naqueles dias. Me chamou a atenção a inscrição de um cavalo brasileiro, cujo nome já não me lembro, que iria correr em Meadowsland, prado próximo de Nova York. Claro que eu não podia faltar ao meeting. O bicho era azarão, pessimamente cotado. Joguei uns poucos dólares e fui para as tribunas, certo de que tinha jogado dinheiro pela janela. Mas, lá pelo meio da reta, desponta o petiço com ação avassaladora e cruza o disco com boa vantagem sobre o segundo colocado, outro azarão. Meus gritos histéricos chamaram a atenção de todos, especialmente de dois seguranças com cara de poucos amigos. Minha histeria, no entanto, tinha bons motivos: a vitória me rendera 3 mil dólares.

Confirmado o resultado, fui para o guichê para cobrar o santo e inesperado dinheirinho. Só que o pagador me pagou apenas 2.600, alegando que o resto era a parte do imposto de renda. Argumentei ser brasileiro, portanto, não sujeito a esse tipo de cobrança, mas o homem não se deu por vencido. Derrotado, restou-me um último recurso: que ele fizesse constar no verso das pules que eu pagava sob protesto. De Nova York, fomos para Washington, onde o “prefeito Paraguaçu”, devidamente escoltado pelo “Zeca Diabo”, queria entregar ao presidente americano um coco cheio da melhor cachaça de Arapiraca.

Uns seis meses depois, recebo uma carta do consulado americano de São Paulo me convidando para uma entrevista. Pensei no pior: eles vão me cassar o visto, só pode ser isso. Mas o funcionário me passou um cheque de 400 dólares, explicando que o protesto tinha sido acolhido pelo “leão”deles. “Na verdade, estrangeiros em visita ao país não estão sujeitos a pagamentos desse tipo”, explicou o cara, meio envergonhado.

“País organizado é outra coisa, né não?”, arremata Lima Duarte, com gestual, voz e sotaque do Zeca Diabo.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Vitória dos sem-cavalos

O turfista que gosta das corridas em São Vicente que tire o cavalinho da chuva, pois acaba de ser eleito para presidente (por meio de presumível manipulação de títulos), João Kaplar Filho, o mesmo senhor que permitiu em seus dois mandatos anteriores que a iluminação da pista fosse dizimada por ladrões e que, em seis anos de mandato, não promoveu mais que 10 corridas.

Agora, presidindo o grupo dos sem-cavalos (a maioria dos integrantes da chapa vencedora nem sabe onde fica o prado), deve consumar o que já se sabe a boca pequena: vai se encerrar o ciclo de corridas e urdida a venda do terreno onde se situa o prado. Para desespero das centenas de pessoas que tiram seu sustento do mesmo prado. A chapa derrotada ainda tentou obstar na justiça, por meio de liminar, a validade do pleito, argumentando, entre outras ilicitudes, que 35 títulos de proprietário do clube foram entregues a pessoas da confiança do dito Kaplar, provavelmente gratuitamente, já que não consta das contas do Jóquei nenhuma entrada de numerário referente à transação, muito menos o dinheiro das respectivas transferências. E tão pouco a autorização do Conselho Deliberativo para a respectiva transação. Como o estatuto do clube permite que se vote por procuração, os 35 beneficiários, evidentemente, delegaram ao benfeitor o direito de votar por eles. Mas, quando a advogada da chapa derrotada entrou na sala do juiz com sua petição, já lá estavam 7 outros contrários, alguns dos quais contratados pelo próprio presidente eleito. Como se vê, uma artimanha primária, que o Juiz de Direito de São Vicente acabou por não reconhecer.

Resultado: João Kaplar vai dirigir JCSV pelos próximos três anos. Ou o que é mais provável: que não terá mais clube para entregar ao seu sucessor em 2014.

terça-feira, 22 de março de 2011

Bom começo

A nova diretoria do Jockey Club de São Paulo já pôs o dedo em algumas das feridas que corroem as apostas em Cidade Jardim – redução no valor de algumas retiradas e nas combinações do Pick 8 e Fast 6. Alterações bem vindas, mas ainda insuficientes para alcançar um expressivo aumento do movimento de apostas. Faltou, por exemplo, reduzirem o valor das inversões de trifetas e quadrifetas, além da escorchante retirada em duplas exatas. Mas, é preciso considerar que o mandato da nova diretoria está apenas começando. Mais coisas devem vir por aí. Aproveito, então, para, na qualidade de velho apostador e jornalista especializado em turfe, sugerir algumas iniciativas.

Workout

Considerando que o Jockey, carente de grana, não pode manter um quadro de cronometristas e tendo em conta que a imprensa diária deixou há muito de dar cobertura aos matinais em Cidade Jardim, urge eliminar o workout, cujo único mérito, a meu ver, é dificultar a tarefa de analistas e apostadores. Da forma como a coisa é feita, é evidente que as marcas são fornecidas pelos próprios treinadores, os maiores interessados em “esconder” os verdadeiros trabalhos e aprontos de seus pensionistas. Ademais, de que servem as marcas de São Paulo, Porto Feliz, Campinas e São Vicente se não há parâmetros para comparação? Exemplo: 1.000 metros em 64” na grama de Porto Feliz, é bom, é regular, é ótimo? Só os privilegiados têm a resposta. De que servem para análise do carreirista “partidas” em 532 metros, em Cidade Jardim? É comum um animal com tempos sofríveis aparecer jogadíssimo e ganhar com facilidade. Sinal evidente de que os trabalhos verdadeiros foram escamoteados.

Pequeno apostador

Copiar coisas boas não é pecado. De há muito, a Gávea dá o exemplo de como “agarrar pelo pé” o pequeno apostador, aquele que pode passar uma tarde inteira no prado com não mais que 20 reais. Apostar em trifetas e quadrifetas em múltiplos de 10 (partindo de 30 centavos) dá à ninguenzada a vantagem de poder combinar mais animais para estar mais próxima de acertos e, portanto, pronta para reinvestir os ganhos. Não é a única, mas essa é uma das razões que levaram o Jóquei do Rio a quase dobrar o movimento de apostas em relação a Cidade Jardim.

Credibilidade
Que a Comissão de Corridas tenha o máximo cuidado ao julgar delitos de raia para efeito de desclassificação. Muito de sua credibilidade vem da forma como estabelece critérios para esse tipo de julgamento. É preciso acabar com decisões que se chocam com o senso comum do carreirista, como tem acontecido com freqüência; e mais, os apresentadores não devem tomar partido quando da exibição do tape da prova em questão, procurando antecipar a decisão da CC.

Malandragem
Que a mesma Comissão fique mais atenta à diversidade de performances. Há casos de flagrante disparidade de atuação que passam batidos pelos homens “lá de cima” e que levam grande parte dos apostadores a acreditar que as corridas são “arranjadas”. Se não me falha a memória, nos últimos anos foram pouquíssimos os profissionais chamados para explicar diversidade de atuação.

Muito mais coisas precisam de correção de rumos. Vamos torcer para que as primeiras providências da nova diretoria não sejam apenas chuvas de verão.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Renascimento

Venceu o turfe.

É o mínimo que se pode dizer do resultado das eleições presidenciais no Jockey Club de São Paulo, ocorridas na terça-feira, 15. A maioria dos sócios deu um “sonoro não” ao grupo que, durante longos e penosos seis anos, levou a entidade a uma situação de indigência administrativa, por privilegiar ambições políticas. Um resultado que aduba a esperança dos que amam as corridas.

Conheço apenas de vista o novo presidente e os seus principais auxiliares. Mas, a proposta da chapa vencedora de levar o Jockey a uma gestão minimamente profissional, me leva a acreditar que o turfe será outra vez a razão primeira dessa centenária agremiação.

Que assim seja!

terça-feira, 15 de março de 2011

Em meu giro diário pela Internet, topei com um texto produzido por Mônica Pileggi de muito interesse para todos os que se relacionam com cavalos-atletas, especialmente os PSI. Eis aqui a sua íntegra:


Tendão de Aquiles
Por Mônica Pileggi
Agência FAPESP – Uma técnica alternativa de cultivo de células-tronco mesenquimais, desenvolvida por médicos veterinários da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu (SP), pode ser a solução para o complexo problema da tendinite em cavalos atletas.
Publicado no periódico Journal of Equine Veterinary Science, o estudo, coordenado pela professora Ana Liz Garcia Alves, teve início no mestrado de Armando de Mattos Carvalho e contou com o apoio da FAPESP. A técnica envolve a retirada de células progenitoras derivadas do tecido adiposo de uma região próxima à base da cauda, para depois implantá-las no próprio animal de modo a se obter a regeneração do tecido lesionado.
Assim como o ser humano, os equinos que participam de competições sofrem lesões nos músculos, com a inflamação no tendão sendo um dos problemas mais comuns. Causada pelo esforço repetitivo exigido nos membros do animal, a lesão pode causar o término precoce da carreira atlética do animal. “Existem diversas terapias para tratamento, mas até hoje nenhuma delas mostrou ser plenamente eficiente”, disse Carvalho à Agência FAPESP.
O tendão do músculo flexor digital superficial, localizado na região do metacarpo do cavalo, é considerado um dos mais importantes e é onde ocorre a maior parte das inflamações.
Para extrair as células-tronco da gordura retirada do cavalo é necessário realizar um procedimento conhecido por digestão enzimática. Nele, uma solução de colagenase é adicionada ao tecido adiposo que faz com que toda a matriz extracelular seja digerida liberando vários tipos celulares, dentre os quais as células progenitoras.
“Após esse processo, essas células são cultivadas e, como as células-tronco mesenquimais têm como característica aderência ao plástico, essas são isoladas das demais. Após dez dias de cultivo, já é possível a obtenção de 10 milhões a 20 milhões de células-tronco e elas estão prontas para o implante no animal”, explicou.
Para o estudo foram selecionados cavalos saudáveis. A lesão nos animais foi causada propositalmente com a injeção de colagenase, que danificou o tecido desejado – no caso, o tendão do músculo flexor digital superficial.
Em seguida, um grupo de cavalos recebeu o implante de células-tronco no local da lesão e outro não. “Ao longo de cinco meses os animais passaram por sessões de fisioterapia e acompanhamento da lesão por ultrassonografia e análises clínicas”, explicou Carvalho.
Ao fim do período, foi realizada biópsia para posterior exame histopatológico e imuno-histoquímico por microscopia para avaliar a reparação do tecido lesionado.
“Comparamos os animais com implante tratados com aqueles que não haviam sido tratados e observamos que o tendão tratado com células-tronco estava mais organizado, isto é, suas fibras estavam mais paralelas”, disse.
Biologia molecular
Impulsionado pelos resultados positivos do mestrado, Carvalho continua com o tema em sua pesquisa no doutorado "Implante de células-tronco mesenquimais autólogas, associadas ao plasma rico em plaquetas em tendinites experimentais de equinos", também com o apoio da FAPESP.
Na nova etapa, a novidade está na inclusão da biologia molecular para a avaliação da reparação tecidual. “Selecionaremos alguns genes que estão normalmente presentes em tendões saudáveis dos animais para sua medição e faremos a comparação da quantia desses genes presentes em tendões lesados tratados e não tratados com as células-tronco”, apontou.
No novo estudo, Carvalho trabalha o implante de células-tronco associadas ao plasma rico em plaquetas (PRP), que assim como as células progenitoras também tem potencial para estimular a cicatrização e a atividade regenerativa.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Sapo indigesto

Esse sapo não dá para digerir, deve ter matutado João Boadjian ao tomar conhecimento de que o atual presidente do Jockey Club de São Paulo e boa parte de sua diretoria trabalham para alterar os estatutos de modo a permitir uma terceira gestão do mesmo grupo. Boadjian é pau de outra cepa, por isso, indignado como ele próprio diz, não poderia tomar mesmo outro caminho senão o de renunciar ao cargo de Diretor de Atividades Técnicas, que exerce desde o início do mandato do presidente Marcio Toledo. Foi o que ele fez na segunda-feira (13), colocando a tropa presidencialista em estado de tensão.
A torcida agora dos que esperam ansiosamente pela saída dos atuais mandatários (e são muitos) é que a manobra casuística não prospere. A opinião geral é que mais três anos de Marcio Toledo e o clube fecha por falência múltipla dos órgãos.

Deserto de valores

Incrível como está sofrível o nível dos jóqueis em Cidade Jardim. No último domingo (12), foi possível avaliar o tamanho do vazio deixado por João Moreira, último dos fora de série que atuaram no Hipódromo Paulistano.
Nenhum dos participantes da segunda prova foi capaz de discernir o ritmo imposto pela égua Esquina . Resultado: ela, de nível técnico inferior, venceu, com alto rateio, simplesmente pelo fato de não ter sido molestada na maior parte do percurso.
Qualquer jóquei de mediana categoria sabe que o “train” de carreira é fator decisivo, que pode dar a vitória a um animal nitidamente inferior, se este puder galopar frouxo na vanguarda. Nenhum dos jóqueis da prova, no entanto, foi “inteligente” o bastante para perceber uma situação tão prosaica.
Alguém pode obstar: “mas então os jóqueis argentinos são bobos por terem deixado o Xin Xu Lin galopar em dois terços do último GP Pellegrini? E eu respondo: trata-se de um craque, bem superior à tropa que enfrentou, e ele não galopou, tanto isso é verdadeiro que o rival que o perseguiu de perto não tinha mais pernas nos 300 metros finais. O mérito do mediano AC Silva foi apenas aproveitar o lamaçal em que se transformou a grama de San Isidro para lançar o seu conduzido na dianteira.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Descaso

Acabo de ler e me emocionar com a crônica do Milton Lodi para o Jornal do Turfe, em que o titular do Haras Ipiranga traça um breve perfil humano e profissional de meu sogro, o Capitão Bela Wodianer (1889/1965).

Figura emblemática do turfe nacional por quase quatro décadas, o Capitão Bela deixou marcas indeléveis de seu saber em haras, centros de fomento, registro de animais ou exposições. Muitos haras, ainda hoje, beneficiam-se de suas escolhas de matrizes e garanhões, baseadas quase sempre na amizade que matinha, por correspondência, com ícones da criação mundial, Ali Khan, por exemplo. O Stud Book Brasileiro também deve muito à experiência internacional do Capitão no que diz respeito a uma identificação de animais minimamente confiável.

As palavras do Lodi me fizeram formular pela enésima vez a pergunta: por que razão um dos dois principais clubes de corridas do país ainda não programou uma mísera prova especial em homenagem ao homem que tanto contribuiu para a caminhada da criação nacional rumo à excelência? E a resposta que me dou é recorrente: puro descaso.

O próprio Lodi, talvez a pessoa que mais conviveu com Bela Wodianer no âmbito do turfe, bem que poderia se valer de sua experiência como ex-dirigente de ambos os clubes para conseguir que a injustiça seja reparada.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Drops Especial

Metamorfose

De vez em quando, acontecem coisas na Gávea de “corar um frade de pedra”, como diria Nelson Rodrigues. Ontem, 22, foi um desses dias do “sobrenatural Almeida”, ainda parafraseando o autor de “A Vida como Ela É.

Não é que o Heacok, para estarrecimento da maioria dos incautos apostadores, enfiou um de bandeira a bandeira? Relembre comigo: nas últimas cinco corridas, todas no claiming C e em distâncias semelhantes, esse filho de Boatman entrou último ou penúltimo na reta, deixando clara uma marcada característica de atropelador. Sem mais nem menos, 25 depois da última, larga, toma a frente, abre vários corpos e cruza o disco em primeiro.

E não se diga que a espantosa proeza aconteceu por obra do Mazini, um ótimo jóquei, mas ainda incapaz transformar pão em vinho. Nem é muito superior ao TJ Pereira, ginete habitual do agora sprinter Heacok.

O pior para o padrão de transparência das corridas no JCB ainda está por vir. Aposto meus últimos tostões como a CC divulgará as suas resoluções sem chamar às falas o treinador Penelas e o jóquei R.Ferreira, o último a montar o indigitado corredor.